Por PatyAZ

A primeira coisa que eu faria é trazer um resultado muito bom para que ela se interessasse em parar para me ouvir.

Isso porque nós, coléricas-sanguíneas, principalmente na juventude, somos aceleradas, ocupadas e obstinadas. 

E aí que mora o primeiro perigo.

Perigo 1: Encarar a transição como uma corrida de 100 metros ao invés de uma maratona.

Por isso, a primeira coisa que eu conversaria com ela seria sobre desacelerar, para que seu corpo não a pare de vez, como o meu, que me levou ao hospital duas vezes.

Eu literalmente me consumi tentando fazer tudo. Duas crises de Burnout depois, comecei a entender que o buraco era mais embaixo. 

Um estudo publicado no Journal of Occupational Health Psychology (Bakker et al., 2014) demonstrou que pessoas com perfil de alta energia e orientação para realização têm 68% mais chances de desenvolver burnout quando não estabelecem limites claros entre trabalho e descanso.

Empreendi desde a formatura. Mas em 2010, voltei ao CLT como professora universitária.

Como boa colérica, dava aula em duas universidades, em oito cursos diferentes, e ia dormir depois da meia-noite. No dia seguinte, já estava na primeira das faculdades às 7 horas da manhã.

Depois de 6 anos nessa rotina de segunda a sexta, e dando aula na pós-graduação e em treinamentos empresariais aos fins de semana, decidi voltar a empreender.

Mas esse blend de temperamentos quer tudo para ontem, então “pedi para sair” das duas universidades ao mesmo tempo.

Mesmo sendo empresária a maior parte da minha carreira, estava me aventurando por mares nunca antes navegados. Era a primeira vez que empreendia no mundo digital.

O desafio foi enorme, inclusive para coisas aparentemente pequenas que se tornaram gigantes, como definir o ritmo de trabalho.

Parece absurdo, já que perdia 4 horas diárias de deslocamento no trânsito e agora trabalho em casa. Mas essa falta de delimitação de tempo te coloca numa armadilha: de um lado o excesso de trabalho, e do outro a procrastinação, já que “tem tanto tempo disponível”.

Perigo 2: A armadilha do conhecimento

Tentando encurtar caminho e acelerar o processo, acabamos depositando nos cursos, ferramentas e mentorias expectativas que não serão atendidas.

E acabamos em um looping do “próximo curso”, “agora vai”. 

E não é nenhum deles que vai de fato te tornar uma empreendedora e te fazer sair da CLT com segurança. É a prática. É repetir, tentar, errar, errar de novo, e não desistir até acertar.

Perigo 3: Comparar-se à versão bem-sucedida futura de outra pessoa, olhando para a sua versão em treinamento atual

Nesse caminho tortuoso da prática surge o terceiro perigo: a comparação tóxica.

Essa comparação, muito comum aos sanguíneos, vai minando duas facetas básicas de todo empresário de sucesso: a autoimagem e a autoconfiança. 

Isso enfraquece o movimento e pode levar a uma paralisação perigosa. Sim, essa combinação quente de temperamentos acelera tanto que paralisa no final. Como beija-flor que bate as asas tão rápido que quando olhamos parece que ele está parado.

É por isso que eu gostaria muito que uma colérica- sanguínea bem sucedida tivesse me dado esses três conselhos antes dessa minha última transição de carreira, que foi a mais desafiadora, mas também, a mais satisfatória até hoje:

1. Estabeleça um sistema de transição gradual

Em vez de abandonar completamente o emprego CLT, considere uma abordagem híbrida. 

Comece dedicando algumas horas por semana ao seu projeto empreendedor, enquanto mantém a segurança financeira. Estabeleça metas claras de receita que, quando atingidas, justifiquem reduzir gradualmente suas horas no trabalho formal.

Crie rituais de início e fim de trabalho mesmo em casa, como se vestir adequadamente pela manhã e fazer uma caminhada ao final do dia para “encerrar” o expediente. Isso ajuda seu cérebro a estabelecer limites claros, reduzindo o risco de burnout.

2. Adote a mentalidade de experimentação científica

Em vez de buscar o próximo curso, transforme seu negócio em um laboratório de experimentos. 

Para cada desafio, formule uma hipótese clara e testável. Por exemplo: “Se eu oferecer este serviço por este valor, conseguirei X clientes em Y dias”. Depois, execute um teste mínimo para validar essa hipótese.

Mantenha um diário de aprendizados onde registre o que funcionou e o que não funcionou. Isso transforma “fracassos” em dados valiosos e reduz a pressão emocional de ter que acertar sempre.

3. Tenha uma rede de apoio empreendedor

Busque conexões com empreendedores que estejam um ou dois passos à sua frente, não dez. Compartilhe abertamente seus desafios e celebre pequenas vitórias.

Estabeleça um “conselho consultivo pessoal”. De três a cinco empreendedores que possam oferecer diferentes perspectivas sobre seu negócio. 

Inclua alguém com experiência no seu setor, alguém bom com finanças, e alguém que entenda seu perfil temperamental.

Seu perfil colérico-sanguíneo carrega uma energia extraordinária que, quando bem direcionada, pode se tornar seu diferencial no mundo dos negócios. 

”O segredo não está em lutar contra sua natureza, 

mas em aprender a tirar o máximo dela.”

Os desafios que compartilhei fazem parte da minha história e de algumas de minhas mentoradas, que se permitiram criar comigo um espaço onde você pode explorar as nuances do seu temperamento, compreender seus padrões de comportamento e desenvolver estratégias personalizadas que respeitavam quem elas eram.

Construir um negócio que reflita não apenas seus talentos, mas também respeite seus limites.

A versão mais equilibrada, próspera e realizada de você está esperando ser descoberta. E o melhor momento para iniciar essa jornada é agora!

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