Por PatyAZ

Uma visão melancólica (aprofundada) do assunto
E não, esse não é mais um artigo falando o que você já sabe sobre o excesso de uso de telas que podem afetar sua química cerebral.
Somos seres sociais, mesmo você que tem uma bateria social baixa. Por isso uma das necessidades básicas humanas ( Maslow ,1943) que as redes mais suprem, é a necessidade de pertencer, a necessidade social.
Queremos fazer parte e o que há de melhor para nos sentirmos pertencentes do que um bom rótulo?
Sou de uma época analógica, vivia uma parte da minha vida sem internet. Em um mundo em que, para se ter um diagnóstico, precisavamos ir ao médico fazer exames e testes.
A facilidade limitante
Na ânsia de pertencer nos deparamos com vídeos de três minutos, posts, carrosseis do tipo:
“Se você tem essas 7 características, você pode ter ansiedade generalizada…”
Seguido de um check list genérico que diagnostica você em uma fração de minuto.
E assumimos o rótulo! Agora pertencemos a algo, a uma tribo.
O que nós esquecemos é que, por trás do cérebro, existe a mente. Ela controla, do seu comportamento, a sua química e a arquitetura cerebral.
A Epidemia do Autodiagnóstico Digital

Quantas vezes você já viu um post assim? E quantas vezes você checou mentalmente cada item da lista, sentindo um frio na barriga a cada “sim” que dava para si mesma?
Aqui está o problema: nossa necessidade de pertencer é tão forte que preferimos nos encaixar em um rótulo negativo do que ficar sem resposta.
É mais confortável dizer “eu tenho ansiedade” do que admitir “eu não sei por que me sinto assim, preciso descobrir”.
Como a Dra. Caroline Leaf explica em suas pesquisas, quando você se rotula – mesmo que seja através de um post no TikTok – seu cérebro simplesmente obedece. Ele começa a buscar evidências para confirmar esse diagnóstico. Você passa a notar mais os sintomas, a interpretar sensações normais como sinais de doença, a se comportar como alguém que “tem” aquela condição.
Quanto mais repetimos para nós mesmos algo sobre a nossa auto imagem, mais nossa mente comanda o cérebro para que ele possa fazer com que a gente se pareça com o que repetimos. Isso se chama viés da confirmação. (Wason, 1960)
Nosso cérebro vai buscar tudo que puder para confirmar nossos pensamentos.
O Viés da Confirmação em Ação
Ele não funciona apenas com pensamentos que criamos sozinhas. Ele funciona especialmente bem com conteúdos que consumimos repetidamente.
Quando você segue perfis que falam constantemente sobre ansiedade, depressão e transtornos mentais – mesmo que com boas intenções – você está alimentando sua mente com uma narrativa específica sobre quem você é. E sua mente, sempre eficiente, vai fazer com que você se torne exatamente isso.
Além desse auto diagnóstico instantâneo, sofremos com o Algoritmo da Comparação.

Como as Redes Nos Programam para a Ansiedade
Você já parou para pensar por que, depois de passar uma hora no Instagram, você se sente estranhamente inadequada? Não é coincidência. As redes sociais são máquinas de comparação disfarçadas de entretenimento.
O algoritmo conhece você melhor do que você mesma. Ele sabe exatamente qual tipo de conteúdo vai fazer você parar de rolar a tela – e geralmente não é o que te faz bem. É aquele post da colega da faculdade com a vida “perfeita”, ou aquele vídeo de 30 segundos te diagnosticando com cinco transtornos diferentes.
A Armadilha da Validação Instantânea
As redes sociais nos oferecem algo irresistível: validação instantânea para nosso sofrimento. Quando você posta sobre sua ansiedade e recebe dezenas de corações e comentários do tipo “eu também”, há uma sensação momentânea de alívio. Você não está sozinha. Você pertence a uma tribo.
Mas aqui está a questão que quero que você considere: e se essa validação estiver te mantendo presa exatamente no lugar onde você não quer estar?
E se, ao invés de te ajudar a crescer, essa constante confirmação de que “você tem ansiedade” estiver reforçando uma identidade limitante?
A Pergunta que Pode Mudar Tudo

Aqui vai uma reflexão que pode incomodar um pouco (e tudo bem se incomodar):
E se sua ansiedade não fosse uma doença, mas sim um superpoder mal direcionado?
Pense comigo: pessoas ansiosas geralmente são altamente sensíveis, intuitivas, criativas. Elas captam nuances que outros não percebem. Elas se preocupam profundamente com o futuro – o que pode ser uma vantagem incrível quando canalizado corretamente.
A ansiedade, na sua essência, é seu sistema interno de alerta funcionando. É sua mente dizendo: “Presta atenção, algo importante está acontecendo aqui.”
Mas e se, ao invés de tentar silenciar esse alerta com rótulos e medicações, você aprendesse a decodificar a mensagem?
O Lado Bom da Ansiedade
Recentes pesquisas descobriram que a ansiedade, quando bem gerenciada, nos conecta com nossa sabedoria interior. Ela nos força a ir mais fundo, a questionar, a buscar soluções criativas.
A Pergunta que Vai Te Tirar do Piloto Automático
Então, aqui está minha pergunta para você – e quero que você realmente pare e reflita sobre ela:
E se você parasse de se perguntar “o que há de errado comigo?” e começasse a se perguntar “o que minha ansiedade está tentando me ensinar?”
E se, ao invés de buscar formas de eliminar completamente esse sentimento, você o tornasse seu combustível para criar a vida que realmente deseja?
Não estou ignorarando o que você está sentindo, estou convidando você para uma mudança radical de perspectiva.
E se, ao invés de tentar se encaixar nos rótulos que as redes sociais oferecem, você se dê a chance de descobrir quem realmente está por trás de todos esses diagnósticos instantâneos?
Porque talvez você seja muito maior do que qualquer rótulo poderia definir.
Na próxima vez que você sentir aquele aperto no peito, aquela inquietação familiar, que tal fazer uma pergunta diferente?
Ao invés de “por que isso está acontecendo comigo?”, experimente: “o que isso está tentando me mostrar que eu ainda não havia percebido antes?”
Sua ansiedade pode estar te preparando para algo maior do que você imagina. A questão é: você está disposta a descobrir o quê?
